Dê o Berro !!!
 

Envie seu protesto, reclamação ou berro à nossa equipe: redacao@boletimpecuario.com.br

 

 
Prezados Senhores.
 
Leio sempre os informes contidos no Ponto Rural que os senhores me mandam. Gosto de lê- los por despertar interesse, os tópicos serem resumidos e muito bem escritos, no geral. Parabéns.
 
Sobre o café orgânico, os senhores informam (13.10)que representa apenas 0,25% da produção nacional e dão uma destaque imenso a essa atividade. Mais de 70 famílias venderam 640 sacas de café orgânico, o que equivale a quase 10 sacas por família. Venderam pelo triplo do preço e o que ganharam diante de tanto trabalho? Esse mesmo café que venderam por U$170,00 o saco, os italianos farão mais de U$6000,00. Estão é rindo desses nossos patrícios.
 
Café orgânico é bom porque não emprega fertilizantes, nem defensivos, e é mais puro. Sem comida adequada, sem proteção contra os inimigos eventuais, estão mais é estragando a terra, pois, com baixa produtividade, a necessidade de área é maior. Quando nós humanos temos algum desequilíbrio na saúde vamos atrás dos médicos e estes nos tratam com medicamentos, que poderiam ser chamados de homotóxicos, uma vez que, por mais  brandos que sejam, sempre podem  provocar um efeito colateral qualquer, desde que....
 
Os adeptos da agricultura orgânica tem verdadeira aversão aos adubos minerais. Até a uréia que é considerada um adubo orgânico é vetada. Nosso organismo a produz em quantidade, queiramos ou não, comamos produtos orgânicos ou não. Adubar com resíduos, minerais, vegetais ou animais é uma boa, mas de onde vêm, como foram produzidos?
 
Outra coisa a considerar nos produtos orgânicos - são puros. Puros de que, o que contém ? Qual o conteúdo dos cafés convencionais que fazem mal a saúde? Porque não se proíbe que se tome outro café que não os orgânicos, uma vez que o café convencional faz mal à saúde?  Não estarão, esse pessoal do orgânico,  criando uma paranóia nos incautos consumidores e contribuindo para estagnar ou mesmo reduzir o consumo do nosso cafezinho. Creio que os produtores desses 0,25%, estão fazendo um estrago danado na nossa economia. É só esperar para ver.
 
Os cafés convencionais, que respondem por 99,75% do total, ocupam uma mão de obra de mais de 3 milhões de pessoas, direta e indiretamente. Essa mão de obra tende a ser desviada para outra atividade ( se é que há) menos poluidora. Os defensores do café orgânicos estão empurrando esses  trabalhadores para o desvio ou para um abismo.    Uns poucos salvadores da Pátria amada, ou cuidando da própria pele e os demais que se lixem?
 
O preços atualmente pagos,  poucos ganham desmesuradamente, e isso tem levado os  produtores  a questionarem os nossos governantes, os industriais dos países ricos, os fundos de pensão, as multinacionais, os dirigentes de cooperativas,  a mídia falada, escrita e televisiva que só lembram do café quando na alta, etc. Apelar para quem?
 
Gostaria imensamente que, os senhores que editam esse substancioso boletim,  dessem  a  ênfase devida aos cafés do Brasil, sem distinção do sistema de produção, pois, seja ele qual for, tem espaço no mercado consumidor e isso é o que vale - distribuir a renda, pão para todos.
 
Cordiais saudações,
Hélio Casale
Eng. Agrônomo
 
[Mais] [Voltar]

Srs. Administradores,

Recebi o Ponto Rural de No. 519, de 22 de julho de 2002, e fiquei um pouco consternado com a notícia "Pecuaristas investem em melhoramento genético". De cara me interessei em ler, mas infelizmente não agradou. Como sempre é confundido neste país, inseminação artificial (entre outras biotecnologias da reprodução) com melhoramento genético. A inseminação artificial é uma prática muito importante para a disseminação do melhoramento genético, mas por si não promove melhoramento. Se for vendido sêmen de um péssimo reprodutor, por exemplo, estaremos fazendo pioramento genético. A reportagem fala de empresas que são "especializadas em melhoramento genético". Isto não é verdade, são especializadas em vender sêmen mas não em melhoramento genético. Desconheço se estas empresas fazem avaliações genéticas e/ou teste de progênie dos reprodutores que vendem sêmen. Como pode se dizer que fazem melhoramento genético. Sou favorável a expansão da inseminação artificial e reconheço a importância destas empresas para o desenvolvimento da pecuária. Entretanto, é bom que conheçamos os papéis de cada um dos atores.
Sei que a reportagem não é do Ponto Rural e sim do Diário de Cuiabá. Entretanto, me senti no dever de escrever para que seja esclarecido os fatos verdadeiros, de maneira que estes equívocos não se repitam.

Atenciosamente,
Raimundo Nonato Braga Lôbo
Pesquisador - Melhoramento Genético Animal
Embrapa Caprinos


Prezado Diretor

Estamos iniciando uma movimentação tímida , mas com firme objetivo de lutar contra os subsídios agrícolas da União Européia e Estados Unidos, visto a forma suja de proteção que utilizam contra os produtos brasileiros e de outros paises. Falta ao agricultor brasileiro, o conhecimento de quais paises boicotam nossos produtos, quais são as barreiras adotadas, e principalmente, somos órfãos de diplomatas capazes de lutarem no nosso favor. Assim, estamos propondo a formação de uma entidade de classe, que realmente leve os interesses da agricultura brasileira ao patamar que ela merece, Será uma organização, que surge e está aberta a adesões de qualquer brasileiro que tenha como objetivo uma forma mais firme e competente de defesa dos interesses da agricultura brasileira, como um todo. Nossa linha de ação será a organização a nível Nacional dos produtores, entidades de classe e demais interessados, visando propostas que incluirão desde a busca de ajuda e cobrança de nossos direitos junto ao governo brasileiro até o possível boicote total de produtos e insumos produzidos por industrias multinacionais que tenham origem nos paises que nos boicotam. Chega de conversa mole de diplomatas, nos enrolam fazem muitos anos, postergam o fim dos subsídios e nos cobram o fim de nossas barreiras comerciais para produtos industrializados, assim nossas industrias quebram, nossa economia e nossos empregos acabam, enquanto nossa agricultura sustenta o mundo com preços mantidos baixos através de políticas manipuladoras dos paises desenvolvidos.

Nossa agricultura necessita de informações, precisamos aprender a cuidar de nosso negócio, estamos virando uma classe de dependentes de multinacionais que determinam nossos destinos. Não podemos continuar a mercê de informações falsas sobre as estatísticas de plantio, sobre as previsões de safras, sobre áreas plantadas. Enfim, o agricultor brasileiro necessita ter uma organização de classe, que tenha como únicos objetivo a defesa do agricultor. Em breve, estaremos formalizando nossa associação, de forma legal, e contaremos com este excelente veículo de informação para a divulgação dos fatos.

Qualquer interessado em juntar-se a nós ou formar o grupo de movimentação em sua região poderá entrar em contato, através do e mail tassi@softone.com.brAtenciosamente
Pedro Ovídio Tassi

[Mais] [Voltar]


Senhor editor

A matéria "Produtores de leite temem nova legislação" contém afirmações que só prejudicam a atividade leiteira (ao contrário do que pode parecer que está defendendo o pequeno produtor). Desinformação ou informação errada é o que pode prejudicar o pequeno produtor muito mais do que exigências legais de qualidade que podem a médio e longo prazo garantir a sobrevivência de todos. Então vejamos: 

1. A matéria citada afirma que o leite C contém "alto nível de microrganismos patogênicos". 
Há mais de 100 anos a pasteurização (procedimento usado obrigatoriamente no processamento do leite C) tem garantido a segurança do leite, inativando ou destruindo microrganismos patogênicos. Afirmar que o leite C contém alto nível de microrganismos patogênicos servirá para afastar consumidores e criar pânico na população. A legislação atual não prevê um limite de contaminação microbiana para o leite cru tipo C e a Portaria 56 inclui um limite de 1 milhão de unidades formadoras de colônias (ou seja, de microrganismos). Essa contaminação, entretanto, é representada principalmente por bactérias saprofíticas, que não causam doença, embora possam alterar a qualidade e reduzir a vida de prateleira dos produtos. 

2. "Obrigatoriedade de os "produtores adotarem a ordenha mecânica"
Não consta na portaria essa obrigatoriedade, nem poderia. 

3. Controle de ventilação e transporte
O transporte do leite não é tarefa do pequeno nem do grande produtor. Além disso, os estudos têm mostrado que com a refrigeração do leite, torna-se possível o recolhimento do leite a cada 2 dias, reduzindo à metade os custos com transporte (esses sim, pagos pelo produtor). Em Minas Gerais, vários laticínios financiaram a compra de tanques de resfriamento e muitos produtores puderam abater o custo do equipamento com a economia feita nos custos de transporte, que antes era feito diariamente. Exigências sobre ventilação e outras têm a ver com a saúde e o bem-estar animal e do homem e buscam melhorar da qualidade do leite e a saúde dos rebanhos. 

Finalmente, gostaria de salientar que os estudos e as experiências nossas e de outros países têm demonstrado ao longo dos anos que programas dessa natureza trazem benefícios para o produtor (reduzem os custos de produção, melhoram a qualidade do produto, garantindo o mercado e a satisfação do consumidor). 

É verdade que o produtor de leite atravessa dificuldades, mas deve-se lembrar que ele produz alimentos que são consumidos pela população, especialmente crianças e idosos, grupos etários mais sujeitos a doenças. Todo produtor de alimentos deve ter a responsabilidade de entregar seu produto livre de riscos para quem o consome. 

É verdade também que são necessários investimentos financeiros e, principalmente, humanos (para treinamento e conscientização dos técnicos, dos produtores e da mão-de-obra) para que os produtores possam se adequar a esses novos tempos. É nessa linha que os produtores deveriam ser informados e conscientizados: no sentido de garantir seus direitos de receber informações corretas; de receber um preço justo por seu produto; de ter acesso a financiamento barato para se adequar às exigências legais. 

Finalmente, gostaria de cumprimentar o Sr. Ronei Volpi pela clareza de sua intervenção na citada matéria. 

Cordialmente, 
José Renaldi Feitosa Brito
pesquisador de Ancoras Gado de Leite
presidente do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite