Artigos Técnicos
   
PRESERVAÇÃO DA VARIABILIDADE GENÉTICA DE PLANTAS: UM GRANDE DESAFIO

Por Fábio Gelape Faleiro, pesquisador da Embrapa Cerrados

A variabilidade genética é a essência da vida, sendo o fator básico para a evolução das espécies. No caso das espécies vegetais, a existência da variabilidade genética permitiu a obtenção, via melhoramento genético, de variedades produtivas, resistentes a pragas e adaptadas aos mais diferentes ambientes. Existem aproximadamente 250 mil espécies de plantas superiores identificadas e 40% delas podem ter importância para a agricultura, considerando as espécies cultivadas e espécies relacionadas. Nos últimos 100 anos, houve uma significativa redução da variabilidade genética dessas plantas, a qual representa um sério risco para a sustentabilidade da agricultura.
Esta perda de variabilidade genética, também chamada erosão genética, significa a perda de genes ou combinações gênicas de plantas que possuem valor atual ou potencial para a agricultura. Entre as causas da erosão genética, pode-se citar a perda do habitat natural dessas plantas (desmatamento, desertificação, expansão urbana, modernização da agricultura), distúrbios no habitat (construção de rodovias e outras ações do homem), desastres naturais (seca, enchente), substituição de variedades locais ou tradicionais por novas variedades melhoradas, mudanças nas práticas culturais, etc.
Embora o fenômeno da erosão genética possa ser irreversível, ações devem ser tomadas para prevenir ou minimizar as suas causas. Uma das ações é a conservação da variabilidade genética via formação de bancos de germoplasma. Esta conservação pode ser ex situ, on farm e in situ. Na conservação ex situ, uma amostra da variabilidade de determinada espécie é conservada em condições artificiais, fora do habitat natural da espécie. Convencionalmente, o germoplasma é mantido na forma de sementes, em razão da facilidade de manuseio, do pequeno espaço requerido e da longevidade quando em condições ideais de armazenamento, normalmente umidade e temperatura baixa. Para espécies com sementes recalcitrantes ou propagadas vegetativamente, é comum a manutenção do germoplasma em viveiros, o que apresenta custo relativamente alto. A conservação in vitro, em nitrogênio líquido ou em câmeras frias, é uma outra possibilidade, considerando a possibilidade de regeneração das plantas. Na conservação on farm, a estratégia é monitorar e proteger diferentes acessos e diferentes espécies cultivadas em um agroecossistema. Na conservação in situ, o germoplasma é conservado no seu habitat natural em reservas estabelecidas, onde é feito monitoramento periódico dos acessos para verificar o risco de extinção.
A melhor estratégia de conservação da diversidade genética pode ser analisada de acordo com o tipo de diversidade biológica (diversidade intra-específica, inter-específica e de ecossistemas) e a categoria de plantas a serem conservadas (plantas cultivadas, plantas relacionadas às plantas cultivadas e outras), entr

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